quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Midiáticos e Urubus


Quanto vale a liberdade? Para cada um de nós ela tem um preço. Qual é o seu preço? Fica fácil defini-la quando estamos presos diante da televisão e todo seu sinal eletrodoméstico para transmissão de vídeo e áudio, procurando realidade diante da mentira ensaiada, comparando a nossa realidade com o showzinho barato das antenas de TV. O mais novo Reality show começou de fato no último dia 5 de agosto, sob a terra, na mina de San Jose. Mas pelo visto o IBOPE anda literalmente a setecentos palmos... O que será que os próximos capítulos nos reservam já que o inicio foi comovente? Quem sabe um novo Neruda? Só que esse mais obscuro e underground. Tirando os trocadilhos baratos, o Grande Irmão chileno poderia nos sensibilizar com uma morte silenciosa e poeticamente desesperadora, assim meio que faltando apenas dois ou três dias para o final do jogo, depois de todas as indefinições de existência, da poeira nos olhos, e a tal afinidade ou falta dela.

A.FI.NI.DA.DE: 1. Semelhança 2. Conformidade, identidade 3. Coincidência de gostos ou sentimentos.

Voltando às cavernas, digo mina (afinal de contas não muda muita coisa, os monstros são os mesmos), todos querem ver uma morte inesperada destas de provocar deus e o diabo de uma só vez, o povo com a sua piedade comprada na esquina da sorte, dizendo:

“Depois de tudo o que eles passaram...”

Outros exclamando um bem-me-quer, e um malmequer de decepções anteriores:

“Ele já estava sofrendo demais coitado, olha quanto tempo estava preso naquele inferno”

Entre murmurações e lagrimas perdidas nos 15 centímetros de diâmetro (calculados por técnicos), por onde se envia água, oxigênio, alimentos e esperança, já que cerveja os foi negado (sim, os mineiros pediram cerveja nos primeiros dias). Ainda nas cavernas, ou fora delas, podemos definir de quem seria a direção do reality show.

Pinochet? Digamos que esse é um bom “observador” e dita:

"No Chile, uma folha não se move sem que eu o saiba."

E ainda complementa dizendo:

"Eu estou vendo os vendo de cima, porque Deus me pôs aqui”.

Outra direção, essa um pouco mais coagida, seria a de Luis Alexander Rubio Bernardes (o Alex):

“Si, Señor ”.

Soares: “Traz uma caneca pra ele levar pra mãe dele”.

E mais do que depressa como se fosse perder o ultimo avião para o chile ele responde:

“Pra já Señor ”.

Tirando estas possibilidades um tanto quanto descabidas, mas nem por isso inimagináveis, o mundo gira e atira para todos os lados, ver é mais um crer de todos os credos, estamos juntos com a mídia necrófaga, com os olhos alugados e sentados sobre as mãos, hipnotizados com as cores, com os sons e todas as sobras, e quem sabe algum principio ainda que do nada.

MI.DI.Á.TI.CO 1. Um acontecimento espontâneo ou planejado, que atrai a atenção de organizações de meios de comunicação, particularmente jornais, telejornais e paginas na internet.

U.RU.BUS Sm.Zool. Nome comuns a aves catartídeas pretas, de cabeça nua, que se alimenta de carne em decomposição.

to be continued...

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